sexta-feira, 2 de julho de 2010




Eu risco, rabisco, traço linhas
Ponho cores, camadas grossas, finas
Traço planos, pego pinceis, mesclo as tintas
Faço minha tela virar arte
Vou assim pintando a vida
Tirando da alma as razões
Do coração os motivos
Aliviando meu espírito
Das dores, por meio das cores
Que formam flores e retratam os amores.


Pinceladas fartas, largas
Umas sobre as outras
Gotas de tinta
Sobre a tela pinga
Vai colorindo o quadro
Formando o meu universo
Como letras que fazem poemas
Como versos que viram canções
As cores logo de inicio já dão sentido ao olhar
O pincel vai passando deixando sua marca
Como os dias que se vão deixando pegadas
Dias e pinceis deixam rastros
Caminhos retorcidos
Riscos e rabiscos
Que somados criam formas
Que pulsa a sua energia,
Que soa uma melodia
Que vibra, dá vida.

Pegar um pincel pesado de tinta
Gota que pinga
Descendo, se espalhando na tela
Motivo, idéias e imaginação
Criatividade fecunda
As razões e emoções se cruzam nos caminhos,
No percurso desta viagem,
Sonhos de poder viver o real
O imaginário,
Meu quadro, sem moldura
Meus olhos buscam o conteúdo
Minha mente tem sede de arte
Meu ser se atenta para o universo fictício
Tenho vicio de pintar, colorir
Descobrir, inventar
Traçar meu mundo
Desenhar a felicidade

Esbocei meu quadro
Risquei, rabisquei, desenhei
Do jeitinho que pensei
Eu criei, inventei, pintei
Dei forma, energia, cor
Dei vida a cada traço
Assim manifesto meu mundo
Que é de fases, épocas, estações
Inverno, outono, primavera, verões
Quantos verões!!!
Tingi minha tela de azul e branco
Céu e nuvens.....
Tradução de paraíso
Longe do branco e preto
Que o eu comum atinge
Eu viajo.......
O mar, o universo, as estrelas
O arco - íris...
Dei cara de paisagem
Para esconder meu espírito.


Eu pintei um mundo
De sonho colorido
Dourado, lindo, sonhado...
Fantasiei, dei vida mágica
Cenário fantástico, cores vivas
Que traduzem palavras engasgadas
Sufocadas...
Que sugerem fases mal vividas
Que definem noites não dormidas
Longe de realizações, eu sonho
E na tela ponho meu querer,
Meu desejo...
Tenho no pincel a tinta
Cores diversas, intensas
Mescladas com a imaginação
Surgindo então um roteiro cristalino
Com vibrações serenas
Que enfatizem som angélico
Que insinuem ar celeste
Que emane dali o AMOR.


Eu pintei minha tela
O reflexo dos meus sonhos, imprimi nela
Um motivo com semelhança la do céu
Uma razão com aspecto do oceano
Que nunca seca porque é fiel
Um tema que sugere AMOR,
CONFIANÇA, PAZ, ESPERANÇA
SABEDORIA...
Pautei assim um universo padrão
Sem placas, sinais, símbolos
Sem ícones de tragédia
Com imagem de felicidade
Uma tela que exprima a realidade
Sonhada, desejada...
Vou pintar outras telas
Antes que eu já não possa mais sonhar.


Nas razões dos meus desejos
Eu tenho teus beijos
Nos traços que faço
Eu tenho o teu abraço
A paixão se vai pelos caminhos da vida
Meu motivo conduz o pincel para a tela
Mas é você que me leva
São as cores que guiam minha arte
Mas você me ilumina por toda parte
Pintando as transparências,
Me transporto, venço o tempo
E a impaciência.
Ah, mas quem dera eu retratasse
Nessa tela a natureza bela dos teus olhos
Que os meus jamais esquecem
A cor verdadeira dos teus beijos
As matizes puras dos meus desejos

Cavalete sobre a mesa, Luz acesa,
Tintas, pincéis, Uma adaptação
Usada com destreza,
Lábios que proferem paixão, Imaginação,
Um momento de criação
Mente em completa fecundação,
É hora de invenção, coração distante,
Num mundo de profusão, buscando sonhos, ilusão, perfeição,
Buscando temas, matérias,
Tentando pôr na tela um esboço,
Sem traços, sem gráficos,
Quem me dera um palco
Onde o mundo não fosse falso,
Onde a vida fosse mais florida, mais rica,
Onde eu não tivesse que inventar, nem copiar,
Um quadro com mais cor, uma vida com mais amor...


Madrugada companheira amiga
Abriga me tuas asas e me leva
Deste momento lento que insiste
Em ficar, assim, como um dia congelado
Tempo estático, como a tinta impressa na tela
Que secou e diz por si que o artista parou
A arte acabou,
Ficou apenas os traços, rabiscos retorcidos
Uma sujeira sem cor, algo sem valor
Nem abstrato, nem mancha é,
Mudez de alma
Que nada expressa.


Manhãs linda e prateada como a lua
Lá fora o sol anda firme como um rei
Que passeia na rua
Aqui dentro eu retrato a vida
E dou roupagem alegre, colorida, jovem
Aos meus dias e enfeito as horas com rosas, tulipas e margaridas
Cabeça repleta de sonhos que vão escorregando pelo pincel
Tentando imprimir na tela
Tinta azul, verde amarela
Acrílica pura ou aquarela
Uma aguada,
Para fazer o céu
Algo subjetivo
Não definido.





É na tela que eu falo do meu amor
Do que eu sinto e do que eu sou
É na tela que me calo diante á dor
Que um dia em meu peito entrou
E para sempre se instalou
É na tela que lanço este pavor, este terror
Que se chama solidão.
É na tela que deito cores quentes
Que me aquecem o frio que em mim navega
E que tua ausência congelou.
É na tela que crio caminhos, saídas
Para eu ir, sair, partir, fugir
Do mundo ruim de decadência e demência.
É na tela que afogo o pincel na gota de tinta que pinga e escorre como lágrimas que descem em meu rosto de tanto desgosto e tédio.
É na tela que encontro o remédio que alivia a angustia e a saudade.


Quantas chances eu terei ainda de pintar
De criar, de produzir, de realizar e me alegrar?!
Quanto tempo eu terei para traçar, riscar, rabiscar
Inventar meu mapa para nele eu viajar, navegar e sonhar?!
Quanta coragem me resta para eu trabalhar sem medo de errar e concertar?!
Quantos dias eu tenho para refazer minha vida com novas cores e sabores e cobrir o preto, o branco, o cinza?! Usar e abusar das nuanças intensas, douradas, azuis, violetas e magenta, sem me preocupar com os conceitos que o povo inventa.
Quantos sonhos eu terei para compor minhas noites e quantos desafios e obstáculos eu terei a vencer antes do fim?!


Eu uso as cores
Manipulo todas
Até virarem flores.
Eu pinto pássaros porque são leves
Coloridos e alegres
E voam alto, o mundo inteiro
Jeito faceiro de desfilar
E nos levam para longe
No pensamento nos fazem sonhar
E imaginar que temos asas para ir
Como o vento a todas as partes.
Eu faço traços virarem borboletas
Algumas azuis outras violetas
Elas são livres, para irem,
Para virem, como o pincel
Que leva em si
Todos os sonhos
Alguns felizes, outros tristonhos.


Um quadro branco
Um pincel redondo
Ou cerda achatada
Não importa a marca
Eu uso pêlo de marta
Um pouco de tinta
Quase nada, diluída,
Uma aguada,
Tipo aquarelada
A cada pincelada
Uma gota pinga
Um rastro que fica
E deixa marcada
Uma tela abstrata








É na tela que tudo recomeça
É na arte que tudo se arranja
É na tela que o pincel dança
Deixando suas pegadas e rastros
As vezes rosa, vermelho ou laranja
Na tela meus sonhos não só lembranças
São também esperança
Ou devaneio de criança
É na tela que tenho flores que jamais colhi
Que registro momentos que jamais vivi
Que trilho caminhos nunca percorridos
É na tela que eu pinto em tom claro ou escuro
Um dia de sol, um porto seguro
Para agora, para hoje ou para o futuro
É na tela que no meu céu tem mais luar
E as estrelas nunca irão se apagar
É na tela que uso as cores mais belas
As tintas espessas, sólidas ou aquarelas
É na tela que crio mares para eu navegar
E tinjo as águas que abrigam velas
Que me levam para outros lugares
É na tela que fujo livre da vida rumo a liberdade.